Glaucoma: Sintomas, tipos de glaucoma, tratamentos e cirurgia

Condição ocular que causa o aumento da pressão do olho podendo danificar o nervo óptico, essencial para visão.

Glaucoma é uma doença ocular causada, principalmente, por uma pressão alta anormal no olho. Essa pressão intraocular provoca lesões no nervo óptico e, se não tratada adequadamente por um oftalmologista especialista em glaucoma, pode levar a cegueira irreversível.

Existem alguns tipos de glaucoma, a maior parte deles não apresenta sinais de alerta, ocorrendo de forma que o paciente pode não o notar até que esteja em um estágio muito avançado.

O avanço silencioso da doença, propiciou que o glaucoma alcançasse o patamar de uma das principais causas de cegueira em pessoas com mais de 60 anos de idade. A estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) é que a doença atinja 3% da população brasileira com 40 anos ou mais.

Apesar de o glaucoma ter grande prevalência na população idosa, ele pode ocorrer em qualquer idade, especialmente em pessoas com diabetes, sendo, junto a retinopatia diabética, edema macular diabético e catarata, uma das condições oculares que pode comprometer drasticamente a visão da pessoa com diabetes em idade produtiva.

O glaucoma não é contagioso, não ameaça a vida e, se diagnosticado e tratado logo de início, raramente evolui para cegueira. São fatores de risco para o glaucoma o histórico de glaucoma na família, o diabetes, traumas oculares e a idade superior a 40 anos. Veja abaixo mais algumas informações importantes sobre a doença.

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Sintomas de glaucoma nos olhos

Ao enumerar alguns sinais do glaucoma nos olhos é preciso explicar as variantes de glaucoma, pois os sintomas variam de acordo com o tipo e o estágio da doença.

Glaucoma primário de ângulo aberto

Esta é a forma mais comum do glaucoma. O nome "glaucoma de ângulo aberto" é devido a condição em que o ângulo de drenagem formado pela córnea e íris permanece aberto. Isso faz com que a pressão no olho aumente gradualmente e danifique o nervo óptico, que é o nervo responsável por levar a informação do olho para o cérebro, sem ele não é possível enxergar.

A lesão no nervo óptico acontece tão lentamente que a pessoa pode perder a visão antes mesmo de perceber o problema. Nos estágios iniciais, a pessoa não apresenta nenhum sintoma, ou seja, não apresenta dor ou qualquer outro sinal externo nos olhos. Ao longo do tempo, com a evolução da doença, pode-se notar pontos cegos irregulares na visão lateral (periférica) ou central, frequentemente em ambos os olhos. Em estágios avançados, a perda da visão periférica pode resultar em um campo de visão restrito, semelhante a um túnel circular, referida como "visão em túnel".

Na consulta de rotina com um oftalmologista, a pressão intraocular é medida pelo exame de tonometria e o nervo óptico é avaliado no exame de fundoscopia, ambos realizados pelo médico dentro do consultório ou em exames de triagem. Como a pressão intraocular pode variar em diferentes momentos do dia, exames complementares são pedidos pelo médico com base em achados durante a consulta, nos relatos do paciente, no histórico médico do paciente, em fatores hereditários ou em outros fatores de risco, podendo ainda o oftalmologista encaminhar o paciente para a avaliação de um médico oftalmologista especialista em glaucoma.

Glaucomas primário de ângulo fechado

O glaucoma de ângulo fechado ocorre quando a íris se projeta para frente para estreitar ou bloquear o ângulo de drenagem formado pela córnea e a íris. Como resultado, o fluido não consegue circular pelo olho e a pressão aumenta. Algumas pessoas têm ângulos de drenagem estreitos, o que as coloca em maior risco de glaucoma de ângulo fechado, essa condição pode ser diagnosticada em consultas de rotina com um oftalmologista.

Existem três condições distintas, uma que ocorre gradualmente, chamada de "crônico", outra em que o episódio se resolve espontaneamente após algumas horas, chamado de "intermitente", e outra que pode ocorrer repentinamente, chamado de "agudo".

O Glaucoma agudo de ângulo fechado é uma emergência médica, que requer tratamento imediato. O paciente apresenta dor ocular e vermelhidão, além de visão de halos coloridos, cefaleia, náuseas e vômitos, em casos mais extremos, os sintomas podem ser confundidos com um problema neurológico ou até gastrintestinal. A dilatação pupilar (midríase) pode empurrar a íris na direção do ângulo e precipitar o glaucoma agudo de ângulo fechado em qualquer pessoa com estreitamento de ângulo, isso pode ocorrer com o uso de medicamentos com potencial de dilatar a pupila.

Glaucoma secundário de ângulo aberto ou fechado

O glaucoma secundário pode ser de ângulo aberto ou fechado, e se dá quando o aumento da pressão intraocular ocorre após doenças inflamatórias, catarata avançada, hemorragia, obstrução de vasos intraoculares ou qualquer outra doença que possa contribuir para aumento da pressão intraocular. Outra causa importante de glaucoma secundário é o uso de colírios de corticoide por tempo prolongado.

Glaucoma congênito

É uma doença rara que afeta crianças desde o nascimento até a idade de 3 anos, podendo culminar em cegueira irreversível. O bebê com glaucoma congênito pode apresentar sintomas como córnea do olho inchada e turva, a criança ainda pode demonstrar desconforto à luz. Os olhos continuam crescendo devido ao aumento da pressão intraocular, e a criança ainda pode apresentar secreção excessiva de lágrimas e olhos vermelhos.

Em recém-nascidos, o Teste do Reflexo Vermelho, o famoso "Teste do Olhinho", é um exame simples, realizado ainda no berçário, que visa diagnosticar o glaucoma congênito e outras doenças como catarata congênita, retinoblastoma, retinopatia na prematuridade, tumores, infecções e traumas de parto. O teste é obrigatório no Distrito Federal e em alguns estados brasileiros.

Tratamento para glaucoma

O tratamento do glaucoma, geralmente, é feito com colírios que melhoram o fluxo dos líquidos através da rede de drenagem e/ou reduzem a velocidade de produção do humor aquoso, que o líquido responsável por nutrir a córnea, o cristalino e regular a pressão interna do olho. Esses medicamentos devem ser usados estritamente conforme a orientação médica e não deve ser interrompida sem a consulta prévia do oftalmologista.

Nos casos em que colírios não estejam surtindo o efeito esperado, a cirurgia de glaucoma pode ser uma alternativa. O tratamento de glaucoma por meio de cirurgia tem o objetivo de ajudar no controle da pressão intraocular pela diminuição do humor aquoso ou pela facilitação da sua drenagem.

São diversos os métodos cirúrgicos para o controle do glaucoma, como cirurgias a laser e tratamentos mais tradicionais. O médico oftalmologista especialista em glaucoma que acompanha o paciente e conhece os pormenores da evolução da doença, pode indicar o método mais adequado e explicar as contraindicações de cada método.

A cirurgia de glaucoma mais comum é a Trabeculectomia, que consiste na remoção de parte da malha trabecular do olho e estruturas adjacentes, a fim de aliviar a pressão intraocular. Outro tratamento é a iridotomia periférica a laser, que é um procedimento cirúrgico oftalmológico para regular a pressão intraocular. Essa cirurgia a laser para glaucoma atua abrindo outra via para a passagem de líquidos, quebrando o bloqueio pupilar.

A iredotomia a laser é indicada para pacientes com glaucoma de ângulo fechado e para prevenir uma crise de glaucoma de ângulo fechado, mas também pode ser indicada em pacientes com glaucoma crônico, intermitente ou subagudo de ângulo fechado.

Glaucoma tem cura ou reversão?

Os colírios e as cirurgias têm finalidade de tratamento, sendo a única forma de controlar a pressão intraocular e prevenir uma complicação mais grave. Infelizmente, ainda não existe uma cura definitiva para o glaucoma.

Para o paciente que descobriu o glaucoma, tem histórico familiar de glaucoma ou que está em um grupo de risco, o acompanhamento com um médico oftalmologista e tratamento o adequado é essencial para auxiliar no controle da pressão intraocular, porém, uma vez que haja lesão no nervo óptico, não é possível reverter a visão perdida.

Dra. Liene Midori Nakanishi

Oftalmologista especialista em Retina e Vítreo (CRM-DF 20240 / RQE 12088)