Quanto tempo dura uma lente escleral e quando trocar?

Sua lente escleral ainda está em boas condições? Entenda quanto tempo ela costuma durar, quais sinais indicam a necessidade de troca e como os cuidados diários ajudam a preservar o material.

As lentes esclerais são utilizadas para melhorar a visão de pacientes com ceratocone, astigmatismo irregular, alterações após transplante de córnea e determinadas doenças da superfície ocular. Diferentemente das lentes gelatinosas descartáveis, que precisam ser substituídas diariamente ou em intervalos de algumas semanas, as lentes esclerais são fabricadas com materiais rígidos e duráveis, podendo ser utilizadas por aproximadamente um a dois anos quando recebem os cuidados adequados.

Essa durabilidade é uma das características que tornam as lentes esclerais uma alternativa interessante para pacientes que necessitam de correção visual especializada. Entretanto, a vida útil não depende apenas da resistência do material. Mudanças no grau, alterações na curvatura da córnea, acúmulo de depósitos e problemas na adaptação podem exigir a substituição antes desse período.

Também existem pacientes que conseguem utilizar a mesma lente por mais de dois anos, desde que o material permaneça em boas condições e a adaptação continue adequada. Por isso, não existe um prazo único de troca que seja válido para todos os usuários.

O acompanhamento com um oftalmologista especialista em córnea e lentes de contato é fundamental para determinar quando a lente ainda pode ser utilizada com segurança e quando sua substituição é necessária.

Qual é a vida útil de uma lente escleral?

As lentes esclerais são fabricadas com materiais rígidos permeáveis a gás, desenvolvidos para manter sua forma e permitir a passagem de oxigênio até a superfície ocular. Essa característica é importante porque a córnea depende do oxigênio para manter seu metabolismo e sua transparência.

Ao contrário das lentes gelatinosas convencionais, as lentes esclerais possuem maior resistência estrutural e não precisam ser descartadas após um período curto de utilização. Em condições adequadas, sua durabilidade costuma ficar entre um e dois anos, podendo ser maior em determinados pacientes.

Um estudo publicado em 2023, realizado em um centro oftalmológico especializado nos Estados Unidos, analisou o histórico de substituição de lentes esclerais em 251 pacientes. O intervalo médio entre as trocas foi de aproximadamente 24 meses, embora tenha existido uma variação considerável entre os participantes.

Esse resultado ajuda a compreender a durabilidade habitual das lentes, mas não significa que todas devam ser substituídas exatamente a cada dois anos. O estudo avaliou pacientes que haviam solicitado lentes de reposição, e o tempo de utilização pode variar conforme o material, os cuidados de manutenção e as condições oculares.

Na prática, uma lente que apresenta boa transparência, mantém suas características ópticas e continua adequadamente adaptada pode permanecer em uso por mais tempo, desde que essa continuidade seja aprovada durante a avaliação oftalmológica.

Por outro lado, uma lente relativamente nova pode precisar ser substituída quando sofre danos ou deixa de apresentar as condições necessárias para proporcionar boa visão e segurança.

O que determina quando uma lente escleral precisa ser substituída?

A durabilidade da lente depende de dois fatores principais: suas condições físicas e sua adequação ao olho do paciente.

Com o uso cotidiano, o material pode sofrer pequenas alterações decorrentes do manuseio, da limpeza e do contato com substâncias presentes na lágrima. Embora as lentes rígidas sejam resistentes, não são indestrutíveis. Quedas, pressão excessiva durante a higienização e utilização de produtos inadequados podem provocar arranhões, trincas ou danos às bordas.

Essas alterações nem sempre são facilmente perceptíveis sem equipamentos de aumento. Um pequeno defeito na borda, por exemplo, pode provocar atrito sobre a conjuntiva e tornar o uso desconfortável, mesmo quando a lente aparentemente continua inteira.

Outra situação frequente é o acúmulo de depósitos na superfície. Proteínas, lipídios e outras substâncias presentes na lágrima podem aderir ao material e, com o tempo, dificultar sua limpeza. Dependendo das características da lente, também pode ocorrer deterioração de revestimentos utilizados para melhorar sua capacidade de permanecer umedecida.

Quando esses depósitos não são adequadamente removidos, a lente pode apresentar redução da transparência, piora da qualidade visual e maior desconforto durante o uso. Em alguns casos, procedimentos específicos de limpeza ou manutenção podem recuperar suas condições, enquanto em outros a substituição se torna necessária.

Entretanto, uma lente escleral pode precisar ser trocada mesmo quando está fisicamente intacta. Isso acontece porque a superfície ocular e as necessidades visuais do paciente podem mudar, tornando inadequada uma lente que anteriormente proporcionava excelente resultado.

Ceratocone e mudanças na córnea podem exigir uma lente nova

Uma das principais indicações das lentes esclerais é a reabilitação visual de pacientes com ceratocone, doença caracterizada pelo afinamento e pela deformação progressiva da córnea.

Nesses pacientes, os óculos convencionais podem deixar de proporcionar uma correção visual satisfatória devido ao desenvolvimento de astigmatismo irregular. As lentes esclerais ajudam a compensar essas alterações porque possuem uma superfície óptica regular e se apoiam na esclera, a parte branca do olho, mantendo um reservatório líquido entre a lente e a córnea.

Essa característica permite melhorar a qualidade visual sem que a lente precise acompanhar diretamente todas as irregularidades da superfície corneana.

Entretanto, o ceratocone pode continuar progredindo, especialmente em adolescentes e adultos jovens. Quando a curvatura ou a espessura da córnea sofre alterações, o espaço existente entre a lente e o tecido corneano também pode mudar, comprometendo a adaptação.

Uma lente que anteriormente apresentava uma distância adequada sobre a córnea pode passar a apresentar aproximação excessiva em determinadas regiões ou deixar de oferecer o mesmo equilíbrio entre conforto e qualidade visual.

O paciente nem sempre percebe essas mudanças imediatamente. Algumas alterações são identificadas apenas durante o exame, quando o especialista avalia a posição da lente, sua relação com a córnea e os sinais de pressão sobre a conjuntiva.

Por isso, pacientes com ceratocone precisam manter acompanhamento periódico mesmo quando estão satisfeitos com suas lentes.

Também é importante compreender que as lentes esclerais corrigem as irregularidades ópticas, mas não interrompem a progressão do ceratocone. Quando existe evolução da doença, pode ser necessário realizar tratamentos destinados à estabilização da córnea, como o crosslinking.

Situações semelhantes podem ocorrer após transplantes de córnea ou outras cirurgias corneanas. Conforme o processo de cicatrização evolui, a curvatura do tecido pode sofrer modificações, exigindo ajustes ou uma nova lente.

Conheça mais sobre as indicações e a adaptação de lentes esclerais para ceratocone e córneas irregulares.

Como saber se a lente escleral está velha ou precisa ser trocada?

Nem sempre é possível determinar a necessidade de substituição apenas observando a aparência da lente. Algumas alterações são muito pequenas e só podem ser identificadas durante a avaliação com equipamentos específicos.

Entretanto, existem sinais que indicam a necessidade de verificar suas condições. Entre eles estão a redução persistente da nitidez visual, desconforto que não existia anteriormente, dificuldade para colocar ou retirar a lente e mudanças no tempo durante o qual ela permanece confortável.

Também merece atenção a presença de arranhões, pequenas trincas ou danos nas bordas, especialmente quando o paciente percebe alguma alteração após uma queda.

Uma lente que frequentemente provoca vermelhidão, deixa marcas persistentes na conjuntiva ou parece ficar excessivamente presa ao olho pode apresentar problemas de adaptação. Essas manifestações precisam ser investigadas, mesmo quando a lente ainda é relativamente nova.

O mesmo acontece quando o grau muda e a correção visual deixa de ser satisfatória. Em alguns pacientes, pode ser possível realizar ajustes na prescrição, mas em outros será necessário fabricar uma nova lente com características diferentes.

Por outro lado, nem toda alteração da visão significa que a lente está desgastada.

A presença de depósitos removíveis, mudanças na qualidade da lágrima e problemas de lubrificação podem provocar embaçamento sem que exista necessidade imediata de substituição. O tratamento da superfície ocular ou a revisão dos produtos utilizados na higienização pode ser suficiente para melhorar a situação.

Por isso, antes de encomendar outra lente, é recomendável verificar se a dificuldade está relacionada ao material, à adaptação ou às condições do próprio olho.

Visão embaçada depois de algumas horas significa que a lente está vencida?

Não necessariamente. Alguns usuários de lentes esclerais percebem que a visão fica progressivamente embaçada após algumas horas, mesmo quando a lente foi colocada corretamente e apresenta boa transparência no início do dia.

Uma das possíveis causas é o acúmulo de partículas no reservatório líquido formado entre a lente e a córnea. Esse fenômeno é conhecido como midday fogging, expressão utilizada para descrever o embaçamento que aparece durante o período de utilização.

A ocorrência pode estar relacionada a características do filme lacrimal, à presença de inflamação da superfície ocular e a aspectos da adaptação da lente. Em alguns casos, a retirada, a higienização adequada e a recolocação com solução estéril nova permitem recuperar temporariamente a nitidez.

Entretanto, se o problema acontece repetidamente, o especialista precisa investigar sua causa. Dependendo da situação, podem ser necessários ajustes no desenho da lente, modificações nos cuidados de manutenção ou tratamento de alterações da superfície ocular.

O embaçamento também pode estar relacionado ao acúmulo de depósitos sobre a face externa da lente, principalmente quando existe dificuldade de umedecimento do material.

Essas situações mostram por que uma lente que parece estar perdendo qualidade não precisa necessariamente ser descartada. Antes de concluir que sua vida útil terminou, é necessário avaliar se existe um problema reversível.

Como aumentar a durabilidade das lentes esclerais?

A maneira como as lentes são manipuladas e higienizadas influencia diretamente sua durabilidade. Embora o material rígido apresente boa resistência, arranhões e quebras podem acontecer durante atividades aparentemente simples, como a remoção, a limpeza ou o armazenamento.

O primeiro cuidado é lavar as mãos com água e sabão e secá-las completamente antes de manusear as lentes. A limpeza deve ser realizada com produtos compatíveis com o material, respeitando as orientações do fabricante e do oftalmologista responsável pela adaptação.

As lentes reutilizáveis precisam ser limpas e desinfetadas após o uso. Algumas soluções removem depósitos, enquanto outras possuem ação desinfetante, e nem todos os produtos podem ser utilizados indistintamente.

Determinados sistemas utilizam peróxido de hidrogênio, que necessita de neutralização completa antes que a lente possa ser colocada no olho. A utilização incorreta dessas soluções pode provocar irritação intensa ou lesões na superfície ocular.

Também é importante diferenciar a solução utilizada na desinfecção daquela empregada para preencher o reservatório da lente escleral durante a colocação. Esse reservatório normalmente deve receber uma solução salina estéril apropriada, sem conservantes, conforme a orientação do especialista.

O soro fisiológico não substitui o processo de desinfecção. Da mesma maneira, não se deve utilizar água da torneira, água mineral, saliva ou soluções caseiras para limpar ou armazenar as lentes, devido ao risco de contaminação por microrganismos capazes de provocar infecções graves da córnea.

Após a limpeza, as lentes devem ser armazenadas conforme as recomendações específicas do material e de eventuais revestimentos. Algumas lentes podem exigir condições diferentes de conservação, razão pela qual não é adequado utilizar uma regra universal de armazenamento.

O estojo também necessita de manutenção. Deve ser higienizado com solução apropriada, mantido em condições adequadas de secagem e substituído periodicamente, em geral pelo menos a cada três meses, conforme as orientações de higiene para lentes de contato.

A colocação e a retirada merecem atenção especial. O uso inadequado dos dispositivos de sucção, a pressão excessiva sobre a lente e o manuseio sobre superfícies rígidas podem provocar danos que diminuem sua vida útil.

Quando uma lente apresenta rachaduras, lascas ou danos perceptíveis, não deve continuar sendo utilizada até que seja avaliada.

Saiba mais sobre os cuidados gerais e a higienização das lentes de contato.

Quanto tempo por dia é possível usar uma lente escleral?

O tempo diário de utilização é uma questão diferente da vida útil da lente.

Uma lente escleral pode permanecer em boas condições durante um ou dois anos, mas isso não significa que deva ser utilizada continuamente, sem períodos de descanso ou remoção.

A quantidade de horas permitida depende das condições da córnea, da doença tratada, do material da lente e da resposta individual ao uso. Algumas pessoas conseguem utilizá-las confortavelmente durante boa parte do dia, enquanto outras necessitam de períodos menores ou de interrupções para renovar a solução do reservatório.

Durante a fase inicial de adaptação, o tempo de uso costuma ser aumentado gradualmente, permitindo avaliar como o olho responde à lente.

É importante evitar a utilização durante o sono, salvo em situações terapêuticas excepcionais e expressamente orientadas pelo especialista. Dormir com lentes pode alterar a oxigenação da córnea e aumentar o risco de complicações infecciosas.

A presença de dor, vermelhidão importante, sensibilidade à luz ou piora da visão exige a retirada imediata da lente e avaliação oftalmológica urgente. Esses sintomas não devem ser considerados uma consequência normal do tempo de utilização.

É necessário fazer uma nova adaptação a cada troca de lente?

Nem sempre é necessário repetir integralmente todas as etapas da adaptação, mas a substituição deve ser precedida de uma avaliação das condições atuais do olho.

Quando o paciente perdeu ou danificou uma lente relativamente recente, e a prescrição, a curvatura corneana e o encaixe permanecem adequados, pode ser possível solicitar uma nova unidade com as mesmas características.

Entretanto, quando houve mudança no grau, progressão do ceratocone ou alterações na superfície ocular, simplesmente reproduzir o modelo anterior pode não oferecer o melhor resultado.

Nessas situações, o especialista precisa verificar a centralização, a distância entre a lente e a córnea, o apoio sobre a esclera e a qualidade visual obtida.

Dependendo das mudanças, pode ser necessário realizar novos testes ou modificar o desenho da lente.

O acompanhamento também permite identificar problemas que o paciente ainda não percebe, como alterações da superfície corneana, compressão excessiva ou inadequação do reservatório líquido.

Por esse motivo, as avaliações não devem acontecer apenas quando a lente quebra ou deixa de proporcionar boa visão.

Em geral, pacientes com lentes esclerais devem realizar pelo menos uma avaliação anual, podendo necessitar de retornos mais frequentes conforme a doença e as condições oculares. Pessoas com ceratocone progressivo ou alterações importantes da superfície ocular podem precisar de acompanhamento em intervalos menores.

Vale a pena investir em lentes esclerais considerando sua durabilidade?

As lentes esclerais geralmente possuem custo inicial superior ao das lentes gelatinosas convencionais, principalmente porque sua fabricação e adaptação são individualizadas.

Em muitos pacientes, são realizados exames específicos da córnea, testes com diferentes modelos e ajustes destinados a encontrar uma combinação adequada entre qualidade visual, conforto e segurança.

Entretanto, diferentemente das lentes descartáveis, as esclerais podem permanecer em uso durante um período prolongado. Quando bem cuidadas, sua durabilidade de aproximadamente um a dois anos permite distribuir o investimento inicial ao longo de vários meses.

Essa comparação, porém, precisa considerar outros fatores. Produtos de limpeza e desinfecção, soluções estéreis de preenchimento, estojos, acessórios de colocação e acompanhamento oftalmológico também fazem parte dos custos de utilização.

Além disso, pacientes com ceratocone progressivo podem precisar de novas lentes antes do período esperado, não devido a defeitos do material, mas porque sua córnea sofreu modificações.

Por isso, a decisão não deve considerar apenas a durabilidade. O principal benefício das lentes esclerais está na possibilidade de proporcionar boa qualidade visual a pacientes que não conseguem uma correção satisfatória com óculos ou lentes convencionais, especialmente quando existem irregularidades importantes da córnea.

Em algumas situações, também podem ajudar a proteger a superfície ocular e melhorar o conforto em pessoas com doenças que provocam ressecamento importante.

Quando procurar um especialista para avaliar a troca das lentes?

A substituição de uma lente escleral deve ser considerada quando existem danos físicos, depósitos persistentes, mudanças na qualidade da visão ou alterações no encaixe. Entretanto, o tempo de utilização, isoladamente, não determina se a lente precisa ser descartada.

Durante a avaliação, o oftalmologista examina tanto a lente quanto as condições do olho, verificando se o material continua adequado e se a córnea apresenta características compatíveis com a adaptação realizada anteriormente.

Em pacientes com ceratocone, também é importante acompanhar a evolução da doença, pois uma lente pode continuar aparentemente confortável mesmo quando existem alterações estruturais que justificam sua substituição.

Na Clínica Midori, em Brasília, a avaliação e a adaptação de lentes esclerais, semi-esclerais e rígidas gás-permeáveis são realizadas pela Dra. Camilla Linhalis, oftalmologista especialista em Córnea, Cirurgia Refrativa e Lentes de Contato.

O acompanhamento permite identificar desgaste do material, avaliar a qualidade da visão e determinar quando é necessário realizar ajustes ou confeccionar uma nova lente.

Uma lente escleral bem conservada pode durar aproximadamente um a dois anos, mas a decisão de substituí-la deve considerar principalmente sua integridade, a qualidade visual e a saúde da córnea. Manter uma lente antiga apenas porque ainda parece utilizável pode não ser a melhor escolha, assim como substituir uma lente em boas condições sem necessidade também pode representar um gasto desnecessário.

A avaliação periódica permite aproveitar adequadamente sua durabilidade sem comprometer a segurança e os benefícios do tratamento.

Dra. Camilla Linhalis

Conteúdo sujeito à revisão técnica

Dra. Camilla Linhalis

Oftalmologista especialista em Córnea, Cirurgia Refrativa e Lentes de Contato
CRM-DF 19030 / RQE 10499


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