Como é a visão de quem tem degeneração macular?
Visão borrada ou distorcida no centro e dificuldade para enxergar detalhes são características da doença. A Degeneração Macular afeta atividades como leitura, condução de veículos e, até mesmo, reconhecimento de rostos.
Uma pessoa com Degeneração Macular sofre com a perda progressiva da visão central, causada pelo comprometimento da mácula, a área da retina responsável por enxergar detalhes finos. Embora ainda consiga perceber o que está ao seu redor, a sua visão direta, que é necessária para tarefas detalhadas, fica severamente prejudicada.
A degeneração macular torna as imagens centrais borradas ou distorcidas, dificultando atividades como leitura, dirigir um carro, enfiar o fio na agulha, reconhecer rostos, entre outras. Essas limitações afetam a independência e a capacidade de realizar tarefas de precisão.
Neste conteúdo tratamos sobre a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), que é a forma mais conhecida dessa retinopatia, afetando idosos, especialmente após os 50 anos, mas existem outras formas de degeneração macular, como a doença de Stargardt, que é genética e afeta pessoas mais jovens. Além disso, distrofias maculares e outras condições hereditárias também podem causar degeneração da mácula em diferentes faixas etárias.
Quais são os sintomas da degeneração macular?
A degeneração macular torna as imagens centrais borradas ou distorcidas, dificultando atividades como leitura, dirigir um carro, enfiar o fio na agulha, reconhecer rostos, entre outras. Essas limitações afetam a independência e a capacidade de realizar tarefas de precisão. Os principais sintomas da doença relatados por pacientes são:
- Visão embaçada ou distorcida na região central
- Linhas retas que parecem onduladas ou tortas
- Manchas escuras ou vazias no centro da visão
- Diminuição da percepção de cores ou cores mais opacas
- Necessidade de luz mais forte para leitura ou para localizar objetos
Quando a degeneração macular é associada ao envelhecimento, há preocupação com fatores de risco de demência. Estima-se que cerca de 2% dos casos de demência sejam atribuíveis à perda de visão não tratada em idades avançadas, com condições como catarata, glaucoma e degeneração macular sendo as principais causas. A perda visual é um dos 14 fatores de risco identificados pela Comissão Permanente da Lancet em 2024, destacando a importância de abordar a saúde ocular para mitigar os riscos de declínio cognitivo.
Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)
A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é classificada em dois tipos principais: a forma seca (atrofia), representando cerca de 85% a 90% dos casos, e a forma úmida (neovascular ou exsudativa), que, embora menos comum, é responsável pela maioria dos casos de perda severa de visão associada à DMRI.
A forma seca se desenvolve lentamente e envolve a deterioração da mácula, enquanto a forma úmida ocorre devido ao crescimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina, que vazam fluido ou sangue, causando danos mais rápidos à visão central. Cada tipo tem características e abordagens de tratamento específicas.
O tratamento da DMRI em sua forma úmida inclui injeções intravítreas de medicamentos anti-VEGF (injeção de antiangiogênicos) para bloquear o crescimento dos vasos, além de laserterapia com fotocoagulação da retina a laser em alguns casos. Já a forma seca, até recentemente, era apenas acompanhada de perto, com recomendação de suplementos antioxidantes para retardar sua progressão, no entanto, os primeiros tratamentos intravítreos foram aprovados pela FDA (agência americana de saúde) em 2023, trazendo opções para tratamento da atrofia geográfica, forma avançada da DMRI seca.
Tratamento para DMRI Úmida (Exsudativa)
A Degeneração Macular Relacionada à Idade do tipo úmido representa uma emergência oftalmológica relativa dentro da retina. Ainda que menos prevalente que a forma seca, é responsável por mais de 80% dos casos de cegueira severa associada à DMRI, justamente pelo seu caráter agressivo e progressão rápida.
O principal tratamento para a DMRI úmida são as injeções intravítreas de antiangiogênicos, ou anti-VEGF (sigla em inglês para vascular endothelial growth factor). Esses medicamentos bloqueiam o crescimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina que causam vazamento de fluido e sangue, responsáveis pela destruição da mácula.
As drogas mais utilizadas atualmente no Brasil são: Aflibercepte (Eylea®), Ranibizumabe (Lucentis®) e Faricimabe (Vabysmo®).
Esses medicamentos têm eficácia comprovada em diversos ensaios clínicos multicêntricos, que demonstraram manutenção ou melhora da acuidade visual em mais de 90% dos pacientes tratados com Eylea®. O Vabysmo®, por sua vez, trouxe a vantagem de intervalos mais longos entre aplicações, com doses a cada 16 semanas em alguns pacientes após fase inicial.
As injeções costumam ser iniciadas com uma fase de “carga”, geralmente com uma injeção mensal por três meses. Após isso, o esquema pode ser ajustado conforme resposta individual. Esse manejo exige acompanhamento frequente com tomografia de coerência óptica (OCT), que permite avaliar a presença de fluido sob ou dentro da retina – parâmetro essencial para decidir sobre a continuidade ou espaçamento do tratamento.
Um quarto medicamento intravítreo amplamente difundido no Brasil é o Bevacizumabe (Avastin®). No entanto, trata-se de uma alternativa off-label, ou seja, seu uso para o tratamento da DMRI úmida não é oficialmente aprovado pelas agências regulatórias para essa indicação, embora seja amplamente utilizado devido ao baixo custo e à comprovação de eficácia em estudos comparativos, embora o perfil de segurança a longo prazo ainda seja discutido, especialmente em relação a inflamações oculares e eventos tromboembólicos.
A escolha entre as opções terapêuticas deve ser feita com base em uma avaliação individualizada, considerando fatores como o grau de comprometimento da visão, a presença de fluido ativo na mácula, comorbidades do paciente e, principalmente, a aderência ao esquema de aplicação, já que os melhores resultados clínicos dependem da regularidade das injeções e do acompanhamento com exames de imagem.
Tratamento para DMRI Seca
O principal manejo da DMRI seca envolve a prevenção da progressão para estágios mais avançados. Estudos conduzidos pelo National Eye Institute, demonstraram que suplementos contendo antioxidantes (vitaminas C e E), luteína, zeaxantina, zinco e cobre podem retardar a progressão da DMRI seca em estágios intermediários a avançados.
Apesar da forma seca da Degeneração Macular Relacionada à Idade ser a mais comum, a DMRI seca não possuia tratamentos específicos até recentemente, mas em fevereiro de 2023 o FDA aprovou Syfovre® (pegcetacoplan), o primeiro tratamento para atrofia geográfica (AG) secundária à Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), e, meses depois o Izervay® (avacincaptad pegol), para mesma manifestação.
Os dois medicamentos, ainda pendentes de registro na ANVISA (última verificação em Novembro de 2024), necessitam de um grande número de injeções e um tratamento prologando, o que impacta fortemente no custo do tratamento. O Syfovre® (pegcetacoplan) mostrou diminuir a progressão da doença em 22%, mas, para isso, se faz necessário um tratamento de dois anos, com 18 injeções, enquanto o Izervay® (avacincaptad pegol) demonstrou reduzir a taxa de progressão da atrofia geográfica em 27% após 12 meses de tratamento, com uma injeção mensal.
Esses medicamentos se apresentam como opções de tratamento para DMRI seca em sua manifestação mais avançada, mas a eficácia limitada na redução da progressão da doença é um ponto que precisa ser considerado entre médico e paciente.
Como é o diagnóstico de degeneração macular
Faz parte de toda consulta oftalmológica de rotina o exame de fundoscopia, que consiste na avaliação de fundo de olho. Apesar da fundoscopia permitir a análise apenas da parte central da retina, é crucial para avaliar o estado geral da retina e da região da mácula, detectando possíveis sinais precoces da degeneração macular.
Para um diagnóstico mais detalhado e preciso da DMRI, exames específicos são necessários, como a tomografia de coerência óptica (OCT), que analisa as camadas da retina. A depender da causa da degeneração, o mapeamento de retina também é indicado, para uma visão mais ampla da retina, incluindo regiões periféricas.
O oftalmologista especializado em retina é o profissional que diagnostica e trata a DMRI. Ele realiza exames detalhados, acompanha a progressão da doença e sugere os tratamentos mais adequados. É importante realizar consultas regulares, especialmente para indivíduos com histórico familiar ou fatores de risco, como idade avançada, tabagismo e hipertensão.
