O que causa descolamento de retina? 7 causas principais
O que causa descolamento de retina? Conheça os principais fatores de risco, entenda a relação com miopia, diabetes e envelhecimento e saiba quais sinais exigem avaliação oftalmológica urgente.
O descolamento de retina pode acontecer devido ao envelhecimento natural dos olhos, alta miopia, traumas oculares, complicações do diabetes e até mesmo após uma cirurgia de catarata. Embora algumas pessoas apresentem maior predisposição, esse problema ocular pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em pessoas que nunca tiveram dificuldades para enxergar.
A causa mais comum do descolamento de retina é uma rotura, ou seja, um rasgo ou buraco na retina, que permite a passagem de líquido para a região entre a retina e a parede posterior do olho. Quando isso acontece, a retina começa a se separar da camada responsável por fornecer parte dos nutrientes e do oxigênio necessários ao seu funcionamento, podendo causar perda permanente da visão.
A retina é uma fina camada de tecido neurossensorial que reveste a parte interna posterior do olho. Sua função é captar os estímulos luminosos e transformá-los em impulsos nervosos, transmitidos ao cérebro pelo nervo óptico. Por isso, qualquer alteração importante nessa estrutura pode comprometer o sentido da visão.
O que pode causar um descolamento de retina?
Existem diferentes mecanismos que podem provocar o descolamento de retina. O mais frequente envolve alterações no humor vítreo, uma substância gelatinosa e transparente que preenche a cavidade posterior do olho e permanece em contato com a retina.
Com o passar dos anos, o vítreo sofre alterações em sua consistência e pode começar a se separar da superfície da retina. Esse fenômeno é conhecido como descolamento do vítreo posterior e faz parte do processo natural de envelhecimento dos olhos.
Na maioria das pessoas, a separação acontece sem provocar lesões. Entretanto, quando existem pontos de aderência mais fortes entre o vítreo e a retina, o movimento pode exercer uma tração suficiente para provocar um rasgo.
Através dessa abertura, o líquido presente na cavidade vítrea pode penetrar sob a retina, separando-a do epitélio pigmentar da retina. Esse processo é chamado de descolamento de retina regmatogênico, o tipo mais comum de descolamento.
A seguir, conheça os principais fatores que podem favorecer esse processo e outras condições capazes de provocar o desprendimento da retina.
1. Envelhecimento e descolamento do vítreo posterior
O envelhecimento é um dos principais fatores associados ao descolamento de retina, especialmente a partir dos 50 anos, quando as alterações na estrutura do vítreo se tornam mais frequentes.
O humor vítreo é formado principalmente por água, mas possui fibras de colágeno e outras substâncias responsáveis por sua consistência gelatinosa. Com o avançar da idade, parte desse gel se liquefaz e sua estrutura sofre contração, favorecendo o descolamento do vítreo posterior.
Quando a separação acontece, o paciente pode perceber pequenas manchas escuras que acompanham o movimento dos olhos, semelhantes a fios de cabelo, teias de aranha ou pequenas moscas. Essas alterações são conhecidas como "moscas volantes".
Em alguns casos, a tração exercida pelo vítreo provoca estímulos mecânicos na retina, fazendo com que o paciente perceba flashes de luz, como pequenos relâmpagos no canto da visão.
É importante compreender que descolamento do vítreo não é a mesma coisa que descolamento de retina. O primeiro é uma alteração frequentemente relacionada ao envelhecimento e geralmente não provoca perda da visão. Entretanto, pode causar uma rotura retiniana, que, se evoluir, pode dar início ao descolamento de retina.
O aparecimento repentino de moscas volantes, principalmente quando acompanhado por flashes luminosos, deve ser avaliado por um oftalmologista para descartar lesões na retina.
2. Alta miopia e alterações na estrutura do olho
Pessoas com alta miopia apresentam maior risco de descolamento de retina, mesmo quando são jovens e ainda não apresentam alterações importantes relacionadas ao envelhecimento.
Isso acontece porque, geralmente, o globo ocular de uma pessoa com miopia elevada é mais alongado que o de uma pessoa sem miopia. Esse aumento no comprimento axial do olho pode provocar um estiramento e afinamento de determinadas regiões da retina, tornando-as mais suscetíveis a degenerações, buracos e rasgos.
Entre as alterações encontradas em pacientes míopes está a degeneração lattice, também conhecida como degeneração em paliçada. Trata-se de uma alteração periférica da retina caracterizada por áreas de afinamento e aderências vitreorretinianas que podem favorecer o aparecimento de roturas.
Nem toda pessoa com degeneração lattice desenvolverá descolamento de retina, assim como nem toda alteração periférica necessita de tratamento preventivo. A indicação depende das características da lesão, dos sintomas e dos fatores de risco associados.
Pacientes com alta miopia devem manter acompanhamento oftalmológico e, quando indicado, realizar o mapeamento de retina, exame que permite avaliar também as regiões periféricas do fundo do olho, onde muitas dessas lesões aparecem.
3. Traumas oculares e acidentes
Uma pancada forte no olho, acidentes esportivos, quedas e ferimentos perfurantes podem provocar lesões na retina e aumentar o risco de descolamento.
O impacto pode causar uma deformação momentânea do globo ocular, transmitindo forças de tração para o vítreo e para a retina. Dependendo da intensidade e da localização do trauma, podem surgir rasgos, hemorragias e outras lesões nas estruturas internas do olho.
Em determinadas situações, o descolamento de retina não acontece imediatamente após o acidente, podendo se desenvolver algum tempo depois.
Por esse motivo, mesmo que a visão pareça normal após uma pancada significativa no olho, é importante procurar avaliação oftalmológica, especialmente quando houver dor, redução da visão, flashes luminosos ou aparecimento de manchas escuras.
4. Diabetes e retinopatia diabética
O diabetes é uma das principais causas de doenças da retina que podem comprometer permanentemente a visão. Entretanto, seu mecanismo de descolamento é diferente daquele provocado por um rasgo retiniano.
Quando a glicemia permanece elevada por períodos prolongados, os pequenos vasos sanguíneos da retina podem sofrer alterações, provocando hemorragias, redução da circulação sanguínea e falta de oxigênio em determinadas regiões do tecido.
Nos estágios avançados da retinopatia diabética, especialmente na forma proliferativa, a falta de oxigênio estimula a formação de novos vasos sanguíneos anormais, um fenômeno chamado de neovascularização.
Esses vasos são frágeis e podem provocar hemorragias dentro do olho. Além disso, a formação de membranas fibrosas e cicatriciais na superfície da retina pode exercer uma força de tração, puxando o tecido retiniano e provocando seu descolamento.
Esse processo é chamado de descolamento de retina tracional e pode ocorrer sem a presença inicial de um buraco ou rasgo na retina.
Nos casos avançados, pode ser necessária uma cirurgia de vitrectomia posterior, procedimento que permite remover o vítreo e as membranas responsáveis pela tração.
O controle adequado do diabetes e o acompanhamento oftalmológico são essenciais para identificar as alterações antes que evoluam para complicações graves.
5. Cirurgia de catarata e outros procedimentos intraoculares
Pessoas que passaram por cirurgia de catarata apresentam um risco aumentado de descolamento de retina em comparação com pessoas que não realizaram esse procedimento.
Isso não significa que a cirurgia de catarata seja insegura ou que o descolamento seja uma complicação frequente. A cirurgia é um procedimento amplamente realizado, com bons resultados na recuperação da visão.
Entretanto, as alterações na dinâmica do vítreo após a retirada do cristalino podem favorecer o descolamento do vítreo posterior e, em determinadas circunstâncias, o surgimento de roturas na retina.
O risco é maior em alguns grupos, especialmente pacientes com alta miopia, pessoas mais jovens submetidas à cirurgia e pacientes que apresentaram complicações durante o procedimento.
O descolamento pode surgir meses ou anos após a cirurgia, razão pela qual o paciente deve estar atento ao aparecimento de novos sintomas visuais.
6. Predisposição genética e histórico familiar
A predisposição genética também pode contribuir para o desenvolvimento do descolamento de retina.
Pessoas que possuem familiares de primeiro grau com histórico de descolamento regmatogênico apresentam maior risco de desenvolver o problema. Algumas doenças hereditárias, como a síndrome de Stickler, também podem provocar alterações na estrutura do vítreo e da retina, aumentando a predisposição a roturas.
Outro fator importante é o histórico pessoal de descolamento de retina. Pacientes que já tiveram o problema em um dos olhos apresentam maior risco de desenvolver alterações semelhantes no outro olho.
Por isso, o acompanhamento não deve se limitar ao olho que recebeu tratamento. A avaliação periódica da retina do olho contralateral também é importante para identificar possíveis lesões predisponentes.
7. Inflamações, doenças vasculares e tumores oculares
Nem todo descolamento de retina acontece por uma rotura ou pela tração de membranas sobre a retina.
Algumas doenças inflamatórias, alterações vasculares e tumores intraoculares podem provocar o acúmulo de líquido sob a retina, separando-a do epitélio pigmentar sem que exista um rasgo.
Esse mecanismo é conhecido como descolamento de retina seroso ou exsudativo.
Entre as possíveis causas estão processos inflamatórios que afetam a coroide, doenças vasculares e determinados tumores intraoculares. Algumas condições, como a doença de Vogt-Koyanagi-Harada, podem provocar descolamentos serosos em decorrência de inflamação ocular.
Diferentemente do descolamento regmatogênico, o tratamento do descolamento seroso costuma ser direcionado à doença responsável pelo acúmulo de líquido e nem sempre exige cirurgia.
A identificação correta da causa é fundamental, pois os tratamentos variam consideravelmente conforme o mecanismo e a gravidade da doença.
O que provoca o descolamento de retina de repente?
É comum que o paciente perceba os sintomas de forma repentina, mesmo quando as alterações que favoreceram o descolamento estavam se desenvolvendo havia bastante tempo.
Isso acontece porque fatores como alta miopia, degenerações periféricas e alterações do vítreo podem estar presentes sem provocar qualquer dificuldade para enxergar.
Quando ocorre uma rotura na retina, o líquido pode começar a se acumular sob o tecido retiniano. A extensão do descolamento e a velocidade de progressão variam conforme as características da lesão e a localização da rotura.
Alguns pacientes percebem inicialmente flashes de luz ou pequenas manchas flutuantes, enquanto outros notam uma sombra escura que parece avançar sobre parte da visão.
A perda visual geralmente é indolor, o que pode levar o paciente a subestimar a gravidade do problema.
Para conhecer os sinais de alerta, leia também o artigo Conheça os 3 tipos de descolamento de retina e seus sintomas.
Estresse, esforço físico ou uso de telas podem causar descolamento de retina?
Não existem evidências consistentes de que estresse emocional, uso prolongado de computadores ou celulares sejam causas diretas de descolamento de retina.
O esforço físico habitual também não é considerado uma causa comum de descolamento em pessoas sem lesões predisponentes. Entretanto, atividades que envolvem impacto ou risco de trauma ocular podem representar um perigo adicional, especialmente em pessoas com alterações retinianas.
É importante diferenciar uma causa comprovada de uma associação temporal. O fato de o paciente perceber os sintomas após levantar peso, praticar atividade física ou passar muitas horas trabalhando não significa necessariamente que essa atividade tenha provocado o descolamento.
Pacientes com roturas recentes, descolamento de retina ou que foram submetidos a cirurgia devem seguir as restrições específicas estabelecidas pelo médico responsável.
Como descobrir se existe risco de descolamento de retina?
A avaliação oftalmológica permite identificar diversos fatores que aumentam o risco de descolamento, como degenerações periféricas, afinamentos retinianos, buracos e roturas.
Um dos principais exames utilizados é o mapeamento de retina, realizado com a pupila dilatada para permitir uma avaliação abrangente do fundo do olho.
Durante o exame, o especialista pode observar a retina periférica e verificar a presença de alterações que necessitem de acompanhamento ou tratamento.
Em determinadas situações, exames complementares, como ultrassonografia ocular ou tomografia de coerência óptica (OCT), podem ser indicados para esclarecer o diagnóstico.
Quando uma rotura retiniana apresenta risco de evolução para descolamento, o oftalmologista pode recomendar a fotocoagulação a laser, procedimento utilizado para criar uma barreira de adesão ao redor da lesão.
Entretanto, nem todas as roturas ou degenerações necessitam de laser. A decisão depende das características da alteração e de uma avaliação individualizada.
O descolamento de retina pode ser evitado?
Nem sempre é possível prevenir um descolamento de retina, principalmente quando ele está relacionado ao envelhecimento natural do vítreo ou a uma predisposição genética.
Entretanto, algumas medidas permitem reduzir riscos e identificar precocemente condições capazes de comprometer a visão.
Pacientes com alta miopia, histórico familiar, cirurgias intraoculares anteriores ou alterações retinianas conhecidas devem manter o acompanhamento recomendado pelo oftalmologista.
Pessoas com diabetes também precisam controlar adequadamente a glicemia e realizar avaliações periódicas para detectar sinais de retinopatia diabética.
A proteção ocular durante atividades com risco de acidentes ajuda a evitar traumas que podem provocar lesões na retina.
Mais importante que tentar impedir todas as causas é reconhecer os sinais de alerta e procurar atendimento rapidamente.
O aparecimento súbito de flashes luminosos, aumento importante de moscas volantes, perda de parte do campo visual ou sensação de uma cortina escura na visão exige avaliação oftalmológica urgente, preferencialmente no mesmo dia.
O descolamento de retina é uma emergência oftalmológica. Quando identificado e tratado precocemente, especialmente antes de comprometer a mácula, região responsável pela visão central, as possibilidades de preservação da visão são melhores.

